quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Conversa com amigos leitores da Escola Criativa





O dia 21 de novembro foi especial para nós: Renato e Mara. É que fomos convidados para irmos até a Escola Criativa, de Uberaba (MG) para conversar com os alunos do 8º ano sobre o livro Os bichos são gente boa (Giz Editorial).  

Conversar com quem gosta de ler e de estudar é outra coisa. É muito bom! Que recepção gostosa!

Os alunos nos aguardavam para saber como as histórias foram escritas, se os personagens eram reais e como os bichos presentes no livro foram escolhidos. É bem verdade que o escritor é um leitor da realidade, que tenta ler e descrever o mundo a partir das suas vivências. É claro que muitas das histórias ocorreram no cenário do CEA Sítio da Pedreira, mas outras vieram dos vários cenários da imaginação.

Logo no início da conversa, três alunos encenaram uma pequena peça de teatro baseada num dos contos do livro. Muito gostosa a montagem. Depois, a conversa rolou solta, leve, sem hora para terminar. Todos fizeram perguntas. Queriam saber mais sobre os bichos, sobre os personagens, sobre quando e como as histórias foram escritas e o que tinha ali no livro que era invenção, memória e criatividade. Eu tentei responder a todas as perguntas, mas sei que, numa conversa assim, muita coisa ainda fica por responder. E ainda tive tempo de autografar alguns livros. O jeito é voltar lá sempre que convidarem. E voltaremos com o maior prazer. Fico também muito feliz por saber que em 2013 o nosso livro será adotado pelo 8º ano (Visitem a página da Escola Criativa na internet: http://www.criativa.g12.br/).

Parabéns às professoras Ana Lídia e à Liza, e a toda a equipe da Escola Criativa, pelo excelente trabalho pedagógico que realizam! 







quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O diário de uma professora (parte XIII)



Elisa Wey Muniz Barretto 
(1883 - 1970)


Chegamos ao fim... Do Diário. Gostei do resultado, da interatividade, dos comentários, das lembranças, das pessoas que se interessaram pelo Diário da vovó Elisa.

O mundo girou, como na música do Chico Buarque (Roda mundo, roda gigante/Roda moinho, roda pião/O tempo rodou num instante/Nas voltas do meu coração...)*, e agora estamos em outros tempos, em “outro mundo”, em outro século. Os pais, os irmãos, o marido, os filhos e alguns netos da Vovó Elisa “giraram” nas voltas do nosso coração. Mas estarão sempre presentes conosco. Ela também.  

* Roda Viva, de Chico Buarque
Roda Viva é uma canção do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque de Holanda. Foi classificada em terceiro lugar no III Festival de Música Popular Brasileira, do ano de 1967.

Vamos à última parte do Diário.

O Diário (parte XIII)

Estamos no ano de 1967. Quanta coisa já se passou desde que deixei de escrever no meu diário!

Antoninho – meu irmão Antoninho, faleceu no dia 25-3-965. O coitado emagreceu muito e morreu durante a noite. Nenê encontrou-o morto, de manhã, quando ia levar-lhe o café. Foi um bom irmão, muito brincalhão e amigo de contar anedotas. Todos dizem que ele se parecia muito comigo.

Nós éramos 10 irmãos e agora estamos reduzidos a três: João, Júlio e eu. Quem irá primeiro agora?

No dia 18 de maio fui com Olga e Frankie ao Rio, onde costumo passar 4 meses.

Dia 21, Lúcio fez anos. Neyde, Marina com os respectivos maridos e filhos foram almoçar com ele.

Durante esta última estadia no Rio, passei muito bem de saúde. Somente no fim, ao fazer exame de sangue, notamos que a glicose subiu a 200 e 220. Aumentei um pouco a insulina (50)  e, no próximo exame, vamos a ver como estou.

No Rio, eu faço parte de um Club ao qual damos o nome de Club das Meninas, pois só aceitam sócias com 70 anos e mais. Fizemos uma exposição de trabalhos manuais no Teatro Municipal. Esteve linda e foi muito apreciada pelos visitantes. Eu apresentei 8 trabalhos de crochê; 1 colcha, 1 conjunto de sapatinhos e 5 proletarinhos para bebês.

Agora estou pensando o que vou fazer para apresentar no próximo ano, si até lá eu ainda pertencer a este mundo.

As reuniões do Club são muito interessantes. Cada sócia leva um prato de doces ou salgadinhos e o Club oferece o chá. Durante a reunião, as sócias cantam, declamam e dançam. Há muita camaradagem e alegria.

Vim do Rio em companhia de Selma e Neusa, no dia 10 de setembro. Vim até Santos com Neusa e Cid e regressei no dia 14, dia do aniversário da Dulce, em companhia da Olga. Vou ficar aqui na casa da Dulce até domingo, dia 24 e nesse dia Selma vem me buscar para passar uns dias em sua casa. Estivemos em casa da Jacy, de Dona Isaltina e Vera.

Hoje, 30 de novembro (1967), o apartamento da Olga está em reforma. Nós passamos o dia aqui no prédio onde vai ser o consultório da Neusa e só vamos para o apartamento dormir, pois aqui não temos cama.

Pretendemos, eu e Olga, subir amanhã (ir a São Paulo) e lá ficaremos até o Natal. Neusa irá para o Perequê com as crianças. Só ficarão em Santos o Júlio e Franco. (Fim).

 Cesta de costura da Elisa

Um dos livros do Joãozinho

Alguns livros do Joãozinho 

O final

Em 1967, Elisa interrompeu o Diário e não escreveu mais. É Olga, sua filha, que nos conta: “Mamãe parou o diário em 1967. Veio passar o Natal e ficou com Neusa no Perequê até 7/01/1968, pois o apartamento estava em fim de reforma.”

Afinal, 1968 foi o ano que não terminou...

Bem, e Elisa? Não contei ainda? Pois vovó Elisa ficou para semente, não uma, nem duas, mas várias sementes. Uma de suas preocupações, quem nos contou foi a neta Elza, é quem ficaria responsável por aguá-la. Isso já foi resolvido, muita gente hoje se encarrega desta tarefa.

E eu soube que Elisa ainda vai ao Rio de Janeiro, participa das reuniões do Club, que hoje chamaríamos de Clube da Terceira Idade, ou da “melhor idade”. Prefiro “Club das meninas”. O que acham?

Ela ainda gosta de viajar, de estar com os netos e bisnetos. Vai sempre a Santos, caminhar com os bisnetos nos jardins da praia.

Infelizmente, não voltou mais a Conchas, mas eu prometi a ela que vamos lá qualquer dia desses. Ela quer me mostrar a casa onde morou seu pai, o velho Germano Wey, e sua serraria. Será que ainda estão de pé?

Sente saudades do Joãozinho, dos filhos e dos netos que já se foram. Fazer o quê? Seguir adiante, não descuidar nunca da educação dos mais novos, zelar pelos livros do Joãozinho e, se sobrar um tempinho, datilografar o Diário, para mostrar aos netos e bisnetos e a quem mais se interessar.

Meus filhos riem quando eu falo em datilografia, mas nem eu nem a vovó Elisa iríamos imaginar, em 1968, que seu Diário fosse parar na internet no século XXI.

Se eu tiver tempo e ânimo, vou continuar escrevendo sobre as pessoas que conviveram com ela.Vou publicar algumas histórias, algumas cartas...

Vez ou outra, ela vem a Uberaba, pois não se cansa de viajar, apesar dos 1000 km ida e volta. Da última vez, me fez um sapatinho de lã. Durmo com ele nos dias frios de julho.



Minha bisavó e eu




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O diário de uma professora (parte XII)


80 anos da Elisa. A família reunida.


As pessoas costumam dizer que a vida é como um ciclo, em que se revezam nascimento e morte, miséria e fortuna. Não concordo com este dualismo, mas a dinâmica da vida e a riqueza das formas e dos conteúdos, com seus infinitos desdobramentos, nem sempre nos permitem enxergar a complexa diversidade da existência real e do porvir. A impressão que tenho hoje é que Elisa, apesar de abatida pelos revezes familiares, triste pelas perdas, sempre acreditou no amanhã. Pode parecer simplista, mas ela não desistiu de viver, mesmo dizendo: “chega de viver”. O que ela continua nos contando a seguir demonstra esta capacidade de superação.  

No Brasil, os anos 1960 foram tempos difíceis. Na política, na cultura, na vida das pessoas. Foi a década em que a população urbana ultrapassou a população rural. As pessoas deixaram o campo em direção às cidades, que passariam por um ciclo de crescimento e de mazelas sociais sem precedentes na história do país (favelas, violência, etc.). Em pouco mais de vinte anos a realidade rural, arcaica e tradicional do Brasil, presa às ideologias da aristocracia rural, cederia espaço para grandes cidades, muitas acima de 100.000 habitantes, algumas passariam de 500.000 habitantes. Iniciada nos anos 1950, a migração interna acelerou-se. As periferias das grandes cidades cresceram assustadoramente; uma cultura urbana, diversificada, multifacetada, juntando pedaços regionais, se desenvolve de modo criativo e impulsiona um processo de renovação.

Na política, JK passa o poder ao Jânio, eleito democraticamente, mas que renuncia após 8 meses de governo; o vice Jango é impedido de assumir, e o país conhece o parlamentarismo; volta atrás, e Jango assume, inicia as reformas de base, tão necessárias; é deposto por um golpe militar e o país conhece um retrocesso político tremendo. Tudo isso em quatro anos! O que nós estávamos fazendo? Cada um de nós. Onde estávamos? Como acompanhamos o desenrolar dos acontecimentos? Uns, muito novos, talvez nem ideia tivessem do que se passava; outros, mais velhos, talvez perplexos, sem atitudes a tomar. Muitos, envolvidos, a favor ou contra. O fato é que o país passaria por uma modernização conservadora, tão bem caracterizada por Celso Furtado no seu livro O Brasil pós-“Milagre”. Como ele constrói este raciocínio? Vejamos: “As malformações da sociedade brasileira são tão evidentes, tão grande o contraste entre a penúria e o desperdício, que todos devemos questionar-nos como foi possível que chegássemos a isso. Como conciliar essa realidade com as potencialidades do país e com o notável esforço de desenvolvimento já realizado?”

Este livro foi escrito em Paris, no início dos anos 1980. Celso Furtado, que teve seus direitos políticos cassados em 1964, não espera o fim do regime para se pronunciar contra o “emaranhado a que o levou [o Brasil] a uma prática política que se nega a ver problemas estruturais”. Ele se espanta ao perceber o quanto o país não reflete sobre si mesmo. E conclui: “Em síntese, no decênio compreendido entre 1964 e 1973, não obstante um considerável aumento do produto interno, não se assinala na economia brasileira nenhum ganho de autonomia na capacidade de autotransformação, nem tampouco qualquer reforço da aptidão da sociedade para autofinanciar o desenvolvimento”.

A família de Elisa cresce. Os netos se casam, nascem os bisnetos, cada um busca seu espaço no mundo. A idade acentua os problemas de saúde, em especial a diabetes. Com quase 80 anos, Elisa cuida de si e dos seus. Repete algumas anotações no Diário [não vou pular, nem “editar” nada]. Em 1963, completou 80 anos e ganhou uma bonita festa da família. Vamos ao Diário.

 O Diário (parte XII).

No dia 16 de dezembro, Neusa ganhou o seu filhinho. Chama-se Marcelo.

Nasceu pequenino e magrinho, mas como a mãe tem bastante leite, ele engordará em poucos dias. É uma criança mansa e muito parecida com o pai.

Neusa conseguiu remoção para um grupo escolar perto de Santos. Vai e volta às 6 da tarde. Está lecionando em 1º ano. Ela estranha, pois sempre trabalhou com 4º ano; mas no fim do ano serão coroados os seus esforços, pois é a classe que apresenta melhores resultados.

Dácio casou-se no dia 30 de janeiro e vai indo bem. Ele e Miriam compreendem-se muito bem. Júnior está matriculado no 5º ano (admissão) do Archidiocesano. Está satisfeito.

Júnior prestou exame e foi aprovado. Vai fazer, este ano, a 1ª série do ginásio.

Quando nos mudamos de Presidente Wenceslau para esta capital, nasceu o Sylvio (1º filho do Romeu). Era uma criança magrinha, mas logo se desenvolveu.

Dulce ficou encantada com o primeiro sobrinho e auxiliou Ciloca [esposa de Romeu] a cria-lo. Morávamos, nessa ocasião, à Rua Cândido Valle, na 6ª Parada. Eu lecionava no Grupo Escolar da Vila Gomes Cardim e, como não ficava longe, ia a pé com Cid, que frequentava o 3º ano primário. Era sua professora Dona Alzira, muito distinta (Dona Alzira já faleceu. Era uma professora muito simpática e bondosa. Morreu muito cedo).

Lúcio estava terminando o curso de farmácia e Olga foi, a convite de sua madrinha, lecionar no Jaborandy, às crianças da fazenda [Barretos, SP]. Romeu começou a trabalhar na Casa Bayton. Mais tarde, ele passou para a Casa Stolze, como técnico de rádio.

Da Rua Cândido Valle, mudamo-nos para Santana e fomos morar em uma boa casa e dali passamos para a Rua Voluntários da Pátria. Um amigo de Joãozinho estava de mudança para outro bairro e cedeu-nos a casa que possuía uma boa freguesia de plissês, Dulce aprendeu a fazer os plissês e trabalhamos bastante nesse serviço. Digo trabalhamos, porque ela sozinha não podia fechar as formas e era sempre auxiliada por mim ou pelo Lúcio. Este, muito paciente, conseguia reunir as pregas, que se levantavam, ao ser a fazenda retirada da forma.

Da Rua Voluntários da Pátria passamos para a Rua Duque de Caxias, pois Joãozinho havia adquirido um belíssimo gabinete dentário, na Praça do Patriarca e ali instalou-se como dentista. Ficamos alguns meses nessa casa e depois resolvemos mudar, pois não possuía quintal. Era um trabalho bastante desagradável para mim, trazer o corredor muito asseado logo pela manhã. Antes de preparar o café, eu fervia água para lavar o corredor e depois desinfetá-lo com creolina. Mesmo assim, começaram a aparecer moscas e houve reclamação dos vizinhos.

Mudamo-nos, então, para a Rua Vergueiro, quase em frente à Igreja Santo Agostinho. Era uma casa velha, mas possuía um bom quintal. Aí morreu o nosso Louro, um papagaio inteligentíssimo, falava mais de 100 palavras.

Aí Dulce conheceu Homero e aí nasceu Lúcia. Finalmente paramos de mudar, pois consegui levantar o meu montepio e comprei a casa da Rua Hermínio Lemos. Levei 12 anos para pagar a casa, mas em compensação não pagava imposto durante esse tempo, e nem água.

Logo que nos mudamos para a Rua Hermínio Lemos, Lúcio formou-se em farmácia e, poucos meses depois, casou-se com Eunice, indo trabalhar, isto é, tomar conta e dar o nome a uma farmácia em São Manoel.

Lúcio trabalhava em uma farmácia perto de São Manoel, quando se casou. Quando Neyde estava a chegar, Eunice veio para nossa casa, à Rua Hermínio Lemos. Aí nasceu Neyde, no dia 11 de junho e no dia 24 do mesmo mês e ano, nasceu Elza. Marina só chegou 10 anos depois da Neyde, quando Lúcio morava em Uruguaiana. Eu, Dulce e Dácio (este com 2 anos e meio) fomos de navio e de trem assistir ao nascimento de Marina. Seis meses depois, isto é, em janeiro do ano seguinte, chegou o Heraldo.

Aposentei-me em abril de 1932, depois de lecionar 31 anos. Depois de aposentada, sai diversas vezes, com Joãozinho. Estivemos em Avaí, Mato Grosso, Guaraçay, Alfredo de Castilho, Dracena, etc.

 Elisa e os bisnetos

Estamos em maio de 1963.

Em abril completei 80 anos e, de acordo com os filhos, fizemos uma reunião de todos no dia 14, pois Neusa achava que ela estaria na maternidade. Vieram todos e, aproveitando a reunião tiramos retratos.

São 16 netos e 7 bisnetos.

O segundo filhinho da Neusa chegou mesmo no dia 14 e chama-se Adriano. É bonitinho e bem forte.

Tive a satisfação de ver reunidos, aqui em casa do Homero, todos os meus netos, os maridos das netas, a esposa do neto (Miriam), os filhos e os bisnetos.

À noite, vieram os outros parentes e pessoas amigas, num total de mais de 150 pessoas.

Dia 7 de junho. Olga veio com a família. Fomos ao cemitério (eu, Olga e Dulce) levar flores para o Joãozinho e Romeu. Cada dia que se passa, mais saudades eu tenho de ambos.

Neusa foi com as crianças passar uns dias em São Sebastião.

Homero está doente e vai ser operado na próxima semana. Deus permita que tudo corra bem.

Homero foi operado e, infelizmente, o tumor é maligno. Coitado do Homero! Tão bom, tão trabalhador e tão alegre! Estamos tristes ao lembrarmos que ele não viverá muito tempo mais. E que falta vai fazer! Coitada da Dulce!

Durante a doença do Homero eu também fiquei doente, com uma úlcera no duodeno. O Dr. Moacyr receitou remédios e dieta para a úlcera e, em 4 meses, fiquei boa. Durante o tratamento da úlcera, como a dieta era grande, não tomei injeções de insulina, a conselho médico. Resultado, a glicose no sangue subiu a quase 300. Então voltei à insulina e tomei também diabase. A glicose baixou a 95 e então eu comecei a ter descontrole, chegando mesmo a cair.

Fui à consulta do Dr. Scanone e contando a ele que eu andava fazendo tolices como se fora criança, ele achou que eu tinha um começo de arteriosclerose, pois já completei 81 anos. Vindo ao Rio, contei o caso ao Lúcio e ele achou que eu estava tomando muita insulina e aconselhou-me a diminuir. Já diminui e, no próximo exame, vamos a ver o resultado. Fiz novo exame de sangue e a glicose baixou em virtude de ter diminuído a insulina. Lúcio acertou.

Homero faleceu no dia 13 de fevereiro.

No dia 10 de maio eu vim passar uns meses aqui no Rio.

Neusa teve seu terceiro filhinho, no dia 7 de junho (aniversário do meu velho) e foi feliz. O menino chama-se Frankie. Eu não o conheço ainda.

Elza tem mais um menino. Homero e Dulce são seus padrinhos. Ele, apesar de bem doente, foi com Dulce à Uberaba, batizá-lo. Chama-se Luciano.

Cid e Selma tem também mais uma menina – Nina. Eu e Homero somos os seus padrinhos, pois na ocasião do batizado, Homero estava com bastante saúde.

Depois do Frankie, chegou uma menina para Neusa. Chama-se Fernanda. Ela vai fazer dois anos no dia 9 de julho, digo junho. É uma menina muito viva e bonita. É morena e tem os cabelos encaracolados.

No começo de fevereiro, Dulce sofreu um desastre pavoroso de automóvel. Vindo do grupo com mais 3 colegas, quando um caminhão chocou-se com o carro atirando-a fora do carro e foi dada como morta. Esteve no Hospital das Clínicas e depois no Municipal muitos dias, em tratamento. Graças a Deus sarou e está trabalhando. (Continua na próxima semana).


 Elisa e os netos


 Elisa e os bisnetos

Elisa e os filhos da Neusa

Dulce, Homero e os sobrinhos, na Fazenda das Aroeiras

Elza, Dulce e Homero no batizado do Luciano
 



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Senhores candidatos



Renato Muniz Barretto de Carvalho

Bom dia! Em primeiro lugar, quero que saibam da minha alegria e do meu agradecimento por terem se apresentado ao pleito eleitoral de 2012. Creio tratar-se de uma demonstração de seu envolvimento com os destinos das cidades, com a consideração da política como algo sério e necessário num país como o nosso, onde existem tantas carências e tantos erros do passado a serem corrigidos.

Mas não estou aqui para falar dos erros do passado, da escravidão que tanto mal fez ao país no passado colonial e cujas consequências estenderam-se até o presente, nem sobre as ditaduras. É preciso acertar as contas com o passado, sim, mas neste momento é preciso se preocupar com o futuro. Embora as coisas estejam interligadas. O povo simples sabe disso.

Como é bom perceber a alegria dos senhores candidatos, ver como se expõem na mídia, como falam de seus projetos, de suas ideias para as nossas cidades. É importante conhecer seu passado de atuação em defesa da cidadania, da coisa pública, e de como estão preparados para governar as cidades ou nos representarem no parlamento municipal, nas câmaras de vereadores. Meu muito-obrigado!

Algumas coisinhas, entretanto, incomodam. E é bom não deixar isso para mais adiante, senão a gente se esquece, ou se arrepende por ter deixado passar... Não é?

São tantas coisinhas que não vai dar para mencionar todas, mas uma delas tem me deixado “com a pulga atrás da orelha”. Conhecem esta expressão? Significa uma certa desconfiança, uma desconfiançazinha de que algo pode não estar correto. Entendem?

Uma dessas coisinhas é, por exemplo, a quantidade de placas – sei lá se o nome é esse mesmo – que têm aparecido nas ruas das cidades ultimamente. Placas com os rostos dos senhores candidatos, muitas seguidas do número e da sigla partidária. Como são irritantes! Estarei ficando velho e impaciente?

Como perguntar não ofende, qual a razão de tantas placas nos canteiros centrais de avenidas, em rotatórias, em calçadas? Fazer os candidatos mais conhecidos dos eleitores? Marcar território, como fazem lobos e cachorros com xixi? Dizer ao mundo que são candidatos? Mas a televisão, os jornais, os debates, as visitas já não nos informam intensamente disso?

Mesmo que autorizadas pela legislação, não seria o caso de se perguntar qual o efeito disso no visual e no conforto urbano? Tantas placas podem dificultar ou até impedir a circulação. Afinal, a rua, a praça, o logradouro, como queiram, são espaços públicos – ou não? São espaços de vida, de manifestação, de circulação, e não deveriam ser apropriados de forma privada – ou não?

Senhores candidatos que têm usado este artifício de espalhar placas por toda a cidade, eu pergunto: se fazem isso agora, o que não farão mais tarde, quando forem eleitos? O que pensam da beleza da cidade? Vale a pena emporcalhar o espaço urbano colocando as tais placas? Não será isso um ato de poluição visual? Se são candidatos, devem saber o que significa poluição visual – ou não? Não sabem que essas placas podem prejudicar a visão dos motoristas causando acidentes? Não pensaram nisso antes de mandar espalhar tais placas? Não acham que essa quantidade de placas pode prejudicar um cadeirante? Uma mãe a conduzir um carrinho de bebê?

Senhores candidatos, os senhores estão, neste momento, muito visíveis, e de vocês o povo espera, no mínimo, coerência, honestidade e sabedoria para lidar com a coisa pública. Que chato começar uma campanha sujando a cidade que pretendem governar ou representar seu povo, não acham?

Daqui a pouco serão tantas as placas e meu temor é que seus cabos eleitorais comecem uma guerra onde elas sirvam de armas, vai ser placa pra lá, placa pra cá, uma placada só! Não vai emplacar. Meu maior medo é sermos atingidos por uma placa voadora perdida, ou uma placa com um sorridente candidato nos perseguindo, solicitando nosso voto... Um pesadelo!

P.S.: em algumas cidades, o nome que se dá às placas é cavalete.